Texto por Marcelo Gomes
A abertura da noite ficou por conta do Skamoondongos. A banda paulistana liderada pelo vocalista Axl Rude tocou além de sucessos da carreira, como “Ocupar E Resistir” e “Bella Ciao”, um cover do Cólera chamado “Medo” e “2 Tons” da banda Subtones que foi dedicada ao Mingau, baixista do Ultraje a Rigor que foi baleado recentemente. Apesar das fortes críticas políticas durante o show, a banda conseguiu colocar a pista para dançar ao som de muito ska regado a um trio sensacional de metais.
O show de abertura foi legal, mas quando o Toy Dolls subiu ao palco, uma energia extraordinária transformou o lugar, algo que certamente ficará na memória de todos. Com sua mistura única de humor, músicas icônicas e uma performance arrebatadora, Michael Olga (vocal/guitarra), Tommy Goober (baixo) e The Amazing Mr Duncan (bateria) provaram mais uma vez porque são considerados uma das maiores bandas punks do mundo.
A introdução já foi hilária, um “Happy Birthday” do nada seguida pela inesperada “Hello” do Lionel Richie que arrancou muitas risadas para terminar com “Theme Tune” e com isso iniciarem com “Fiery Jack” que foi cantada por todos. “Cloughy Is Bootboy” foi acompanhada por palmas e dava para sentir a sinergia no ar. Duncan iniciou “Bitten By Bed Bug” enquanto Olga e Tommy iam arrancando seus ternos. Com a casa super cheia, o calor só aumentava e a festa estava apenas começando.
À medida que o show avançava, os caras iam passeando pelo seu catálogo. “Benny The Boxer”, “Dougy Giro”, “I’ve Got Ashtma”, “El Cumbanchero” fizeram a multidão agitar como se não houvesse amanhã. O público cantou e cantou muito alto fazendo o Carioca Club parecer um grande karaokê. Fazia muito tempo que não via uma audiência tão intensa assim. No palco, Olga e Tommy comandavam a festa fazendo coreografias e brincadeiras com os fãs.
Em “The Lambrusco Kid”, Olga aproveitou para tirar seu colete e falar que está com sede. Um “garçom” começou a servir garrafas de diversos tamanhos até que chegou uma gigante. Parecia ser de champanhe. O cara estourou e veio uma chuva de papel. A irreverência dos caras é incrível e contagia a todos.
Os próximos acordes denunciam a mais famosa da banda. “Nellie The Elephant” foi a consagração da festa. O público deu um show à parte e participou enlouquecidamente. Nas paradas, quando os fãs gritavam o “OOOO”, se formava uma parede sonora tão densa que quase encobriu a banda, foi demais. Se a apresentação parasse por aí, já estaria de bom tamanho mas ainda mostraram suas habilidades musicais em “Toccata e Fuga em Ré Menor” do compositor erudito, Johann Sebastian Bach.
O clima de celebração pairava no ar. No setlist, músicas que fizeram parte da infância e adolescência da maioria dos presentes. E não era só isso, a presença de palco era muito marcante, cada movimento dos caras parecia encantar a plateia. No caso da “Wipe Out”, eles tiraram mais uma carta da manga, num movimento sincronizado, a cada parada da música, eles giravam a guitarra e baixo em 360 graus e continuavam a tocar. Momento épico do show.
Fizeram um bis longo e encerraram a festa com “Dig That Groovy Baby”, “When The Saints Go Marching In”, “Glenda And The Test Tube Baby” e “Idle Gossip” num baita alto astral. Enquanto muitos artistas, hoje em dia, optam por usar muita tecnologia e efeitos visuais, o trio nos lembrou que a essência do show, é a música ao vivo.
O show do Toy Dolls foi simplesmente lendário. Suas músicas icônicas combinadas com uma presença de palco carismática e bem-humorada, criaram uma noite inesquecível para todos os presentes. O que realmente diferenciou esse show foi a interação do público. A casa lotada e reação eufórica dos presentes provaram que mesmo depois de 40 anos, a banda continua a cativar e inspirar novas gerações.
Nossa colaboradora Leca Suzuki também foi ao show e registrou a noite. Confira a nossa galeria de fotos completa logo abaixo (se não conseguir acessar clique aqui):