Texto por: Stephanie Souza
A missão de abrir um dia de Lollapalooza quase sempre é jogada no colo de artistas nacionais. Em pleno horário de almoço, ao 12h, a novíssima cara do rock nacional Giovanna Moraes tomou pra si o palco Samsung Galaxy deste domingo, 30.
A artista começou sua carreira em meados de 2017 – nessa época focava em gêneros como a MPB e o pop. A virada de chave veio após seu álbum Para Tomar Coragem (2022), que transicionou sua identidade visual e sonora para dentro do escopo do rock. Em 2023, o álbum Fama de Chata consolidou essa mudança.
Giovanna soube aproveitar o dito “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” como ninguém: é um fenômeno nas redes sociais e criou trends virais com músicas do Fama de Chata, alcançando grandes números. Debochada e irônica, suas músicas batem de frente com o machismo e os tais dos rockeiros “true”, atraindo admiradores como Supla e João Gordo.
Giovanna fez sua estreia no Lollapalooza de forma descontraída: se divertiu no palco, interagiu com o público e entregou máscaras de papel com seu rosto estampado. Visivelmente feliz, a cantora agradeceu por ter sido convidada e também por todos que se mostraram presentes tão cedo nesse último dia — a grade estava tomada por fãs da banda Tool, headliner do palco Samsung. A setlist contemplou seus dois últimos álbuns e GGG (como é apelidada) reforçou sua mensagem feminista e de autoaceitação, com seu estilo irreverente e despreocupado. Um show divertido e que injetou ânimo para o último dia de festival.
Já no Palco Mike’s Ice, também no começo do dia, foi a vez das paulistas da Charlotte Matou Um Cara. Formada em 2015, a banda é influenciada pelo movimento riot grrl, pela revolucionária francesa Charlotte Corday (daí o nome da banda) e o feminismo interseccional. É mais do que música: é acolhimento, pertencimento e identificação. É sobre olhar pro lado e ver mulheres ao seu lado compartilhando do mesmo sentimento. Filhas de bandas clássicas da cena punk rock feminina, como o Bulimia, o grupo escancara aos gritos sua mensagem em dois álbuns de estúdio: Charlotte Matou um Cara (2017) e Atentas (2021).
Gritos de protesto, riffs rápidos, bateria agressiva e baixo impactante: o punk rock se fez presente como nunca na apresentação da banda. Com um público majoritariamente feminino, fãs da banda se fizeram presentes ao trocar energia com a banda. Andrea, vocalista, entrou ao palco usando uma camisa de força rosa, antes de dar início ao show com a canção “Você Quer Me Matar”. A banda homenageou as vítimas da ditadura, explicou a história por trás da música “Tiro, Porrada e Bomba” e fez uma das apresentações mais enérgicas que passaram pelo palco Mike’s Ice.
Com abordagens distintas acerca dos mesmos temas, podemos dormir tranquilas sabendo que o rock nacional está na mão de mulheres com potência e muita vontade de fazer diferente. O importante é estar lá e se fazer ser vista, se fazer presente para nós, mulheres, sempre.
Confira as fotos do nosso colaborador Rafael Andrade:
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