O festival Março Maldito proporcionou uma noite histórica para os headbangers paulistanos! Com ingressos esgotados há mais de um mês, o evento entregou uma maratona de peso extremo no Carioca Club, no último dia 21.

O evento reuniu cinco grandes representantes do black, thrash e death metal, proporcionando uma sequência avassaladora de performances brutais. O line up trouxe The Black Spade (Brasil), Sacramentum (Suécia), Desaster (Alemanha), Bewitched (Suécia) e Sodom (Alemanha), oferecendo uma experiência sonora intensa e inesquecível.

A abertura do festival Março Maldito

Os brasileiros do The Black Spade tiveram a responsabilidade de abrir o festival e não decepcionaram. A banda mostrou uma sonoridade crua e agressiva, que imediatamente conquistou o público sedento por metal extremo. Com muita brutalidade e uma presença de palco intensa, a banda deu o pontapé inicial ao caos.

Os suecos do Sacramentum, liderados por Nisse Karlén (vocais), trouxeram a essência do black/death metal melódico com seu setlist poderoso. Abrindo com “Burning Lust”, a banda mergulhou o Carioca Club em uma atmosfera sombria. Faixas como “Fog’s Kiss” e “Far Away From the Sun” foram recebidas com entusiasmo pelos fãs, que entoaram os riffs melancólicos com fervor. O encerramento com “Awaken Chaos” foi um verdadeiro espetáculo, com a banda entregando uma performance impecável e intensa.

Desaster e Bewitched mantém a brutalidade

A brutalidade do Desaster fez o Carioca Club tremer. Se o evento já estava pegando fogo, os alemães jogaram ainda mais gasolina. Com Sataniac (vocais), Infernal (guitarra), Odin (baixo) e Tormentor (bateria), os alemães despejaram seu black/thrash metal sem piedade, fazendo um dos shows mais empolgantes da noite, ficando atrás apenas do Sodom. “Satan’s Soldiers Syndicate” abriu o set de forma explosiva, e a banda não deu trégua com “Devil’s Sword” e “Learn to Love the Void”. O público, já completamente entregue, respondeu com rodas insanas durante “Teutonic Steel” e “Hellbangers”, que antecederam a clássica “Metalized Blood”, fechando o show com maestria.

Era a vez dos suecos do Bewitched. Com Vargher (vocais/guitarra), Wrathyr (baixo), Hellfire (guitarra) e Znoid (bateria), a banda entregou uma performance visceral, começando com “Blood on the Altar” e “Night of the Sinner”. Apesar da entrega da banda, os fãs demoraram um pouco para se empolgar. O jogo começou a mudar com “Sabbath of Sin”, “Fucked by Fire” e “Cremation of the Cross”, destacando-se pelos riffs rápidos e a energia diabólica da banda. O encerramento com “Hard as Steel (Hot as Hell)” conseguiu conquistar o público e deixou uma boa impressão em sua estreia em São Paulo.

A lenda viva Sodom para fechar o festival Março Maldito

Encerrando a noite, o Sodom provou por que é uma lenda viva do thrash metal. Com uma introdução baixa e sem muito alarde, Tom Angelripper (baixo/vocais), Frank Blackfire (guitarra), Yorch (guitarra) e Toni Merkel (bateria) subiram ao palco para detonar “Shellfire Defense”, seguida pela agressividade de “Jabba the Hut” e “The Crippler”, mostrando que o tempo só os tornou mais brutais. Sem brincadeira, parece que o público ficou até meio atordoado com a devastação sonora que os alemães estavam promovendo.

A clássica “Agent Orange” fez a casa vir abaixo, com fãs cantando cada palavra enquanto o mosh literalmente pegava fogo, com gente até com sinalizador no meio. Em meio ao apocalipse sonoro, a banda resgatou sons dos primórdios, como “Let’s Fight in the Darkness of Hell” e “Proselytism Real”, para deleite dos fãs, além de uma sequência avassaladora com “Sodomy and Lust”, “Blasphemer” e “Tired and Red”, mostrando que continuam tão consistentes quanto nas décadas passadas.

Performance de palco impecável e conversa em português

Em meio ao caos, muitas vezes o guitarrista Frank Blackfire vinha ao microfone para conversar em português com os fãs. Aliás, foi um dos pontos altos do show, que, além de uma performance de palco incrível, ainda se comunicava muito bem com o público. Para quem não sabe, Blackfire morou no Brasil durante alguns anos. E o que falar de Tom Angelripper? O cara continua mandando suas linhas insanas de baixo e cantando como nunca.

O cover de “Leave Me in Hell”, do Venom, foi um presente para os fãs do metal old school. Aliás, esse som veio bem a calhar. Casa lotada, um calor absurdo e as rodas pareciam um pandemônio na Terra. Na parte final do show, “Outbreak of Evil”, “The Saw Is the Law” e “Remember the Fallen” não deixaram pedra sobre pedra.

Para encerrar de maneira triunfal, o bis trouxe “Bombenhagel”, numa execução que definiu a apresentação como um rolo compressor desenfreado que atropelou quem ousou ficar pela frente, consolidando de vez o nome da banda entre os grandes do thrash metal mundial.

O Março Maldito entregou um dos festivais mais intensos do ano. Com um lineup excelente e performances avassaladoras, o evento consagrou-se como uma celebração definitiva do metal extremo. O público, que esgotou os ingressos com antecedência, foi recompensado com uma experiência única, repleta de clássicos, brutalidade e devoção ao metal. Se este festival retornar em edições futuras, será um evento imperdível para os fãs do gênero.

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Paulistano e apaixonado por rock desde os 10 anos, comecei a descobrir o universo da música pesada quando um amigo gravou uma fita K7 com Viper, Judas Priest, Metallica, entre outros. Na sequência, conheci o Black Sabbath e foi um caminho sem volta ... Frequentador assíduo de shows, já acompanhei centenas de apresentações das principais bandas de rock/metal e suas diversas vertentes. Nos últimos anos, tenho transformado minha paixão pela música em palavras, compartilhando resenhas sobre shows e permitindo que os leitores vivenciem a emoção de cada apresentação.