Marko Hietala lançou no dia 7 de fevereiro o álbum Roses from the Deep. Este é o seu segundo trabalho solo, sucedendo Pyre of the Black Heart (2020).
Para divulgar a novidade, o músico chamou alguns jornalistas para participarem de uma coletiva de imprensa. Na conversa, o músico falou sobre o atual projeto e o que esperar do futuro.
Confira abaixo como foi o papo e no fim da matéria ouça o álbum na íntegra.
Marko fala sobre seu novo álbum solo
Imprensa: Oi Marco, como você está?
MH: Estou bem, obrigado! Já está um pouco tarde para mim, pois sou um homem de família, mas estou aqui e pronto para começar.
Imp: O que te inspirou a criar um álbum solo em vez de trabalhar com o Tarot, por exemplo?
MH: O processo começou com o EP Pyre of the Black Heart, onde reuni um grupo de músicos com quem realmente gosto de trabalhar. Com o tempo, isso naturalmente evoluiu para uma banda. Quando comecei a me recuperar de um longo período de depressão e ansiedade, voltei a escrever.
Meus colegas de banda entraram em contato depois da pandemia, ansiosos para fazer música, e eu já havia começado a trabalhar em um novo material. Tudo se encaixou naturalmente. O Tarot, por outro lado, recentemente fez alguns ótimos shows de retorno em festivais, e planejamos revisitar nosso material antigo no próximo verão para ver se nos sentimos inspirados a criar algo novo. Mas, por enquanto, meu grupo solo me permite explorar estilos musicais mais variados além do heavy metal.
Imp: Seu novo projeto se inclina novamente para o metal. Como foi a experiência de produzir um álbum de heavy metal novamente?
MH: Embora este álbum tenha elementos evidentes de metal, ele ainda reflete a versatilidade tanto do grupo quanto do meu processo de composição. Quero que meus colegas de banda gostem de tocar essas músicas, e como todos nós amamos rock pesado e metal, acabou acontecendo naturalmente. No entanto, também há uma mistura de rock clássico, elementos progressivos e folk no álbum.
Imp: Qual mensagem você espera que os ouvintes tirem deste álbum?
MH: A música tem o propósito de transportar as pessoas, seja como uma forma de escapismo ou simplesmente trazendo alegria. Se minha música puder dar aos ouvintes um alívio das dificuldades do dia a dia, então terei cumprido meu papel.
Influências literárias e cinematográficas
Imp: Seu álbum tem uma qualidade cinematográfica e narrativa, especialmente em músicas como “Frankenstein’s Wife”. O que inspira essa abordagem?
MH: Não é algo que planejo conscientemente, mas quando adicionamos camadas, orquestração e dinâmicas de banda, isso naturalmente assume um tom cinematográfico. Tenho um grupo muito ambicioso, e buscamos o máximo de variedade possível, mantendo tudo coeso.
Imp: Há outras músicas no álbum inspiradas em livros ou filmes?
MH: Sim, “Left on Mars” foi influenciada pelo meu amor pela ficção científica. Inclusive com a maravilhosa participação da Tarja Turunen. Uso muitos termos técnicos e futuristas, sabendo exatamente o que significam. Embora não tenha sido inspirada diretamente por um livro específico, os temas de ficção científica definitivamente desempenham um papel na minha escrita.
Hietala e a dinâmica da banda
Imp: Você pode nos contar sobre sua colaboração com Thomas Wäinölä?
MH: Trabalho com Thomas há anos no projeto natalino finlandês, onde fizemos turnês juntos. Quando comecei a trabalhar em Pyre of the Black Heart, foi natural envolvê-lo. Ele é um músico incrivelmente versátil, indo do jazz ao rock e pop, e trouxe muita profundidade para este álbum.
A evolução de Roses from the Deep
Imp: As músicas de Roses from the Deep tem uma mistura de diferentes sons. Inclusive em alguns momentos lembra a própria vida, com alegria e tristezas. Isso foi intencional ou aconteceu naturalmente?
MH: Meu processo de composição é caótico. Mantenho-me aberto à inspiração de tudo ao meu redor. Ao longo dos anos, aprendi a capturar ideias conforme surgem, seja escrevendo ou gravando trechos. A variedade no álbum reflete essa abordagem espontânea.
Imp: A faixa “Tammikuu”, janeiro em finlandês, se destaca como uma música única no álbum. Você pode nos contar mais sobre ela?
MH: Significa janeiro, pois é o mês do meu aniversário (risadas). É uma música sobre minha infância, sentimentos de alienação e, mais tarde, uma transformação. Na metade da música, ela toma um rumo fantástico. Musicalmente, tem um pouco daquela pegada da New Wave of British Heavy Metal—exceto que é em finlandês!
Imp: “Impatient Zero” é uma das músicas mais poderosas do álbum. O que a inspirou?
MH: Ela reflete a escuridão que experimentei durante minhas lutas contra a depressão e a dor de me sentir incompreendido. Alguns amigos se afastaram, presumindo que eu havia enlouquecido ou que estava envolvido com drogas. Escrever essa música foi uma forma de encapsular e processar essa fase da minha vida.
Turnês e planos para o futuro
Imp: Como é estar de volta à estrada com um projeto solo? Há algo especial em tocar esse novo material ao vivo?
MH: É emocionante, mas também uma responsabilidade maior, já que meu nome está no projeto. Cheguei a me sentir nervoso antes dos primeiros shows solo, o que foi incomum para mim após tantos anos. Mas agora estamos adicionando novos elementos, incluindo colaborações com Nora Louhimo, do Battle Beast. Será uma experiência única para nossos shows na Finlândia.
Imp: No próximo ano, completam-se 40 anos desde o lançamento de Spell of Iron. Algum plano para celebrar esse marco?
MH: Eu ainda não tinha pensado nisso, mas agora que você mencionou, talvez devesse! Vamos ver se conseguimos incorporar algo especial aos próximos shows.
Imp: Você se vê retornando ao power ou ao metal sinfônico no futuro?
MH: Neste estágio da minha vida, acho limitante me comprometer com um único gênero. Se uma música naturalmente me levar nessa direção, eu a abraçarei. Mas, no momento, meu foco é manter minha liberdade criativa. Se o Tarot se reunir novamente, certamente será heavy metal, mas no meu trabalho solo, quero explorar uma gama mais ampla de influências.
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